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A bandeira da autonomia – Sorri Bauru/SP

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Instalada em Bauru, no interior de São Paulo, a Sorri tem como meta estimular a independência dos seus usuários: pessoas com deficiências físicas, intelectuais e auditivas. Nos últimos 43 anos, a instituição já superou a marca de 2 milhões de atendimentos.

Promover a saúde, o bem-estar e a educação inclusiva com serviços de reabilitação e tecnologia assistiva, como órteses, próteses e aparelhos auditivos, é o foco da Sorri, instituição instalada em Bauru, no interior de São Paulo, que, só no ano passado, somou 176 mil atendimentos a 4.700 usuários.

Em setembro deste ano, a instituição completou 43 anos. Em todo esse período, registrou mais de 2 milhões e 300 mil atendimentos a pessoas com deficiências físicas, intelectuais e auditivas – esse número se refere só até o primeiro semestre de 2019. Para os 295 profissionais da Sorri, como o fisioterapeuta Diego Ladeira Bento, ultrapassar dois milhões de atendimentos é motivo de orgulho. Mas não é o único: há alguns meses, a Sorri retomou o uso de um software que faz medidas digitalmente e confecciona encaixes de próteses em impressora 3D, dispensando o uso de gesso.“Isso permite à equipe atender aos pacientes com mais rapidez e qualidade”, constata Bento, que é coordenador da área que avalia e confecciona equipamentos ortopédicos, órteses e próteses da Sorri.

Um desses pacientes é Wagner de Souza. Amputado bilateral abaixo dos joelhos, Souza teve sua vida transformada depois de receber a prótese. “Agora, ele realiza todas as atividades, inclusive dirigir e nadar. Tem uma vida ativa e independente”, conta o fisioterapeuta.

Colaborar para que os assistidos conquistem autonomia é o principal propósito da instituição. “Trabalhamos sob o paradigma da emancipação”, reforça Maria Elisabete Nardi, diretora-executiva da Sorri. “O que buscamos é estimular o desenvolvimento e o reconhecimento de competências dos nossos usuários, visando à independência”.

TERAPIA COM CAVALOS 

O público atendido pela Sorri não é segmentado: a instituição está capacitada para receber desde bebês prematuros até adultos com deficiências. Eles são encaminhados pela rede regional de Saúde Pública, Educação e Bem-Estar Municipal de Bauru. O trabalho é centralizado no Centro de Reabilitação da Sorri, que conta com uma equipe multidisciplinar, formada por especialistas em audiologia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, terapia ocupacional, psicologia e serviço social.

No Centro de Reabilitação da instituição, esses profissionais realizam diagnósticos, planos terapêuticos individuais, intervenções terapêuticas e atividades complementares, como práticas esportivas e aulas de música, dança, teatro e equoterapia. Entre outros benefícios, a equoterapia exercita o equilíbrio, a coordenação motora e favorece a postura da pessoa com deficiência.

Um dos praticantes de equoterapia é o pequeno José Henrique Silvestre, o Zeca, de 3 anos. Com diagnóstico de paralisia cerebral e microcefalia, ele frequenta a Sorri desde 1 ano de idade. “A evolução dele tem sido muito boa. Com a equoterapia, tem ganhado controle de tronco, e a comunicação e a fala melhoraram”, conta a mãe de Zeca, Viviane Silvestre. Os cavalos utilizados na técnica terapêutica pertencem à Polícia Militar, que é parceira da instituição. “É gratificante ver o tratamento que ele recebe dos profissionais da Sorri. É um carinho muito grande. Parece que os usuários são filhos deles”, comenta a mãe.

 

Bebês recebem estimulação precoce

Uma das frentes de atuação da Sorri é o projeto Bebês Prematuros, que consiste na identificação de alterações de desenvolvimento em crianças de zero a 2 anos e 11 meses. Constatadas as alterações, elas recebem estimulação precoce. As mães, por sua vez, são assistidas por psicólogos.

Na fase seguinte, crianças de 3 a 5 anos e 11 meses são incentivadas a construir a própria autonomia. Já o trabalho voltado a crianças e adolescentes de 6 a 17 anos e 11 meses é favorecer a independência e apoiar o acolhimento escolar, inclusive nos casos de transtorno do espectro autista. A Sorri é considerada uma instituição de referência no atendimento a crianças com autismo no Estado de São Paulo.

A escola oferece um ambiente rico em estímulos e oportunidades, capaz de promover experiências e identificação de potencialidades que beneficiam a criança e todos os envolvidos no contexto escolar: professores, cuidadores, alunos e família”, destaca Lilian Maria de Souza, fisioterapeuta e supervisora da Reabilitação da instituição.

REABILITAÇÃO PROFISSIONAL

Junto a adolescentes e adultos, a instituição fomenta a reabilitação profissional. Para facilitar a inclusão ou recolocação no mercado de trabalho, os usuários frequentam cursos e oficinas. A Sorri também oferece apoio e orientação para planejamento da vida futura.

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR 

Em outubro de 2016, Evantuir Andrade Candido, de 34 anos, sofreu um traumatismo cranioencefálico. Encaminhado à Sorri em março de 2017 e totalmente dependente de terceiros para locomoção e cuidados, passou por tratamento multidisciplinar, que incluiu médicos, psicólogos, ortopedistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e educadores profissionais. O tratamento durou dois anos e três meses. Candido deixou a Sorri em junho de 2019, agora com autonomia para realizar atividades cotidianas em casa.

SERVIÇO

A Sorri-Bauru recebe verbas públicas, mas depende de outras fontes para manter suas atividades, como prestação de serviços, vendas de produtos e apoio de empresas e pessoas físicas. Para fazer doações, ligue para (14) 4009-1000. Para saber mais sobre o trabalho da instituição, acesse: www.sorribauru.com.br

 

ENTREVISTA

Astrólogo, editor e presidente de instituição: as três faces de João Bidu

Ele é considerado o astrólogo mais famoso do Brasil. Dono da Alto Astral, uma editora sediada em Bauru, João Carlos de Almeida, o João Bidu, já vendeu mais de 120 milhões de revistas e livros desde que lançou, em 1986, seu primeiro anuário astrológico, a revista “Guia Astral”. Ainda hoje em circulação, essa revista representou a semente da editora que ele consolidou ao longo dos anos 80 e 90 ao lado do sócio Pedro Chiquito.

Atualmente, a Alto Astral não lança apenas publicações sobre astrologia. O leque de temas é maior – inclui comportamento, história, saúde, educação, celebridades, culinária, trabalhos manuais, entre outros – e não se restringe ao meio impresso: João Bidu é frequentador assíduo de redes sociais e, só no Facebook, tem quase 1 milhão e meio de seguidores.

Sua rotina agitada inclui outro compromisso: a presidência do Conselho de Administração da Sorri. Por ter sofrido poliomielite na infância e ficado com sequelas motoras em uma das pernas, o astrólogo e empresário sabe exatamente o que significa superação.

 

Universo da Inclusão – Você já disse em entrevistas que sua deficiência física funcionou como um gatilho para o seu envolvimento com a comunicação, primeiro, como locutor esportivo; depois, como astrólogo e editor de revistas e livros do grupo Alto Astral. Como foi essa história? 

João Bidu – É uma história longa, mas vou tentar resumir. Tudo começou na Vila Dutra, em Bauru. Como eu não podia correr, quando se formavam os times para as peladas, eu ficava na beira do campo com uma latinha na mão como se estivesse transmitindo o jogo. Pronto: nascia ali o futuro locutor esportivo. Atividade que eu, com minha deficiência física, podia exercer tranquilamente… Está certo que, em alguns estádios do interior, eu tinha que vencer degraus e degraus para chegar à cabine de transmissão. Em outros estádios, era mais fácil. Mas no dia a dia, no estúdio, sem problemas. Com as revistas e os livros, idem. 

Universo da Inclusão – Para uma pessoa com deficiência, qual a importância de uma instituição como a Sorri?

João Bidu – É fundamental, pois, na Sorri, ela encontra todo tipo de suporte que precisa para se reabilitar e ser incluída na sociedade. E isso não significa só colocação no mercado de trabalho: em muitos casos, a instituição colabora para a pessoa vencer os seus medos e complexos e, assim, levar uma vida plena. 

Universo da Inclusão – As políticas públicas estão ajustadas às necessidades dos brasileiros com deficiências? O que precisaria melhorar?

João Bidu – Tivemos grandes, para não falar grandiosos, avanços nessa área. Está certo que eu falo de Bauru, São Paulo, grandes centros. Provavelmente, no interior do país a coisa seja diferente, muito mais complicada. Mas, pelo fato de a gente ser de um país que tem grandes demandas, penso que a pessoa com deficiência vem sendo atendida na medida do possível. O que precisa melhorar? No caso da Sorri, se a gente tivesse mais recursos, poderia atender às pessoas com a rapidez de que elas necessitam. A nossa fila hoje é imensa. Outra questão é a mobilidade, que acredito que ainda seja um problemaço em várias partes do Brasil. A maioria das cidades e prédios é hostil a quem tem deficiência, mas já avançamos um pouco. 

Universo da Inclusão – Como o setor privado pode estimular a inclusão social da pessoa com deficiência?

João Bidu – No caso da Sorri, não podemos reclamar do setor privado. Afinal, foram as empresas, quando a instituição começou, que acreditaram na nossa atuação e na força de trabalho da pessoa com deficiência. E nem se sonhava com uma lei que obrigasse as empresas a darem vagas para essas pessoas. Com a lei, então, há sobra de vagas. Mas, o mais importante, é que aumentou e melhorou demais a conscientização dos empresários sobre a capacidade da pessoa com deficiência. Isso sem se falar do apoio financeiro de algumas empresas que temos recebido ao longo dos anos. Esse apoio possibilitou a construção de áreas adequadas e aquisição de equipamentos. Embora muitas empresas colaborem, merece destaque a Rede Tauste de Supermercados, que tem sido uma grande parceira da Sorri. Clubes de serviço, poder judiciário e, é claro, a comunidade também nos oferecem um suporte muuuito bom.

 

Por: Fernanda Vilas Bôas

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