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Inclusão Social Luiz Mendes

E quando o meu filho se tornar um adulto?

Fiat
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          Ter filho é sempre avaliar qual a próxima etapa do seu futuro. O Lipe está atualmente com 16 anos e, então, eu e a minha esposa nos deparamos mais uma vez falando de como imaginamos que  será a sua vida após a adolescência. O que ele deve fazer, como será ele se vendo como um adulto e o que podemos fazer hoje para que ele seja o mais feliz possível.

          Isso me trouxe pensamentos em mais um ponto pouco discutido no Brasil sobre pessoas com deficiência. E assuntos poucos discutidos normalmente possuem poucas possibilidades. Este tópico me floresceu quando recentemente ganhei uma amiga que se engajou justamente nesta causa: projeto para ajudar as pessoas com deficiência a um dia morarem sozinhas. Através do olhar dela, notei que esta será a minha próxima batalha. Como possibilitar que pessoas com deficiência possam morar sozinhas, tomar suas próprias decisões, e desenvolver maturidade. E como isso significa um novo marco para diminuir o preconceito na sociedade.

          Temos de lembrar o quanto significante é, para cada um de nós, o sentido de moradia. É a base da nossa vida. E não seria diferente para as pessoas com deficiência. Mas existe um ponto além, pois mais do que significar a sua autonomia, significa um ponto importantíssimo da sua autoestima. É possibilitar a sua inserção completa, a sua inserção na comunidade e ter este sentimento de pertencimento completo.

          Como fazemos parte do mesmo universo, nós pais podemos achar uma solução em comum. Por meio de experiências de países mais avançados, sabemos que é perfeitamente possível qualquer pessoa morar sozinha. O ponto a ser acertado também é o que sempre apregoamos: a necessidades individuais, que traz com que a avaliação do tipo de apoio varie de acordo com a necessidade que o indivíduo precisa para isso.

          Bom, falar sempre é fácil. Mas como isso poderia funcionar na prática? A ideia é baseada em termos uma edificação que reúna um grupo de poucos jovens, cada um com seus “lares”, mas não excludente a pessoas sem qualquer deficiência. No modelo inglês, no qual acredito, este formato se baseia na existência de uma unidade à parte que serve para apoio e que irá possibilitar um plantão 24 horas de funcionários.

          Este grupo de apoio é dedicado a ajudar na rotina das casas, desde que este seja o desejo dos moradores, comprando comida, cozinhando, entre outras tarefas. Mas um ponto importante é que os mesmos serão facilitadores, ou seja, pessoas que podem ajudar a qualquer morador nestas tarefas e não possuindo o papel de cuidadores.

          Espero um dia poder ver isso como rotina nas nossas cidades e rotina para os nossos filhos se inserirem, mesmo depois da nossa partida.

 

Por: Luiz Mendes

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