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Inclusão Social

Ter ou não ter um filho?

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Por: Luiz Mendes, economista pela PUCMG, Pós-Graduado pela FGV, especialista em mídias digitais e membro do Instituto Meta Social, que há mais de 20 anos promove a inclusão social e Head Digital do Projeto Universo PCD

Nesta crônica, vou abordar um tema que, infelizmente, vem sendo tratado como controverso dentro da discussão da inclusão e que, na minha visão, deveria estar sendo discutido no universo acadêmico, apenas no contexto dos valores da natureza humana. É uma discussão que vem ocorrendo em alguns países, sobretudo na França, e que em algum momento todos nós aqui no Brasil seremos chamados a nos envolver.

Com os avanços tecnológicos de testes pré-natais, cada dia mais se identifica que um feto possui Trissomia 21 ainda muito cedo na gravidez. Então a controvérsia está na decisão, por parte de alguns pais, ao saber desta notícia, de interromper a gravidez após a descoberta.

Pois bem… como pai, posso afirmar a qualquer um e a qualquer tempo que nunca senti qualquer sensação de possuir uma carga maior de responsabilidade ou de qualquer outro sentimento pelo fato de o meu filho mais velho, Lipe, ter um cromossoma a mais. Isso, inclusive, é parte da minha recusa em aceitar o rótulo de super pai, pais especiais, e outros “elogios” que vez ou outra ainda recebemos.

As características de que o meu filho demanda em atividades diferenciadas, como as suas terapias e outros recursos, estão dentro da mesma lógica de qualquer pai com filhos com qualquer diferença. Até mesmo para os pais com filhos superdotados.

Nós, aqui do Universo PCD, fazemos parte de uma série de entidades que se empenham em buscar e permitir que todas as pessoas com deficiência possam maximizar sua capacidade, possuir as mesmas condições que são dadas a todos, de poder levar uma vida plena de significados e que possam assumir o seu lugar de direito na comunidade. Isto, é claro, se aplica às pessoas com T21.

E esta nossa luta é baseada através da inclusão completa e irrestrita de qualquer pessoa, no apoio a pesquisas, na adaptação de todos que se envolvem com educação, e, fundamentalmente, na disseminação de informação e conhecimento.

E é através desta divulgação das informações, que possibilitamos as pessoas ainda não envolvidas com este potencial, esta “normalidade”, que acredito que esta discussão não deveria existir na decisão de um pai em interromper ou não uma gravidez de um ser com síndrome de Down. Deveria estar dentro da academia, para o entendimento da negação da diferença e na busca pela padronização, de uma expectativa de ter um filho “perfeito”, dentro de um nível visto em filmes ou comerciais, ou seja, da expectativa do seu filho ser de alguma forma dentro de um estereótipo criado pela sociedade. Seja lá o que isso for.

Enfim, acho que temos de discutir mais profundamente que tipo de sociedade estamos criando para termos que trazer um tema como este para debate. É claro que faço absolutamente tudo para que o Lipe possa se desenvolver o máximo possível, e que se existisse uma forma de amenizar os efeitos que este cromossoma lhe afeta eu seria o primeiro a defendê-la. Mas vou ser repetitivo. Faria também qualquer coisa que estivesse ao meu alcance para diminuir qualquer dificuldade ou frustração do Pedro, o meu outro filho.

As pessoas com síndrome de Down são indivíduos plenos na vida familiar, profissional e educacional. Fazem normalmente parte das comunidades em que vivem e não são, de forma nenhuma, necessitados de cuidados passivos ou adicionais. Basta conversar com qualquer pessoa envolvida neste dia a dia, de pais, a irmãos, família e amigos. Junte a isso uma literatura acadêmica que comprova o impacto positivo para todos

 

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