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Carnaval acessível: Fundação Dorina Nowill para Cegos dá dicas para pessoas com deficiência visual

A cidade de São Paulo tornou-se um dos principais destinos carnavalescos do país. Saiba como as pessoas cegas ou com baixa visão podem curtir a festa de rua com segurança

Foto: Reprodução
Mais de 800 blocos de rua já foram registrados para o carnaval em São Paulo em 2020. São milhares de foliões se locomovendo de um canto a outro da cidade a procura do bloquinho perfeito. Além da música, localização e segurança, nessa época de comemorações, é muito importante pensar na acessibilidade das festas para garantir um espaço democrático para todos. Pensando nisso, a Fundação Dorina Nowill para Cegos preparou algumas dicas para as pessoas com deficiência visual e os organizadores dos bloquinhos se prepararem para evitar possíveis transtornos nessa época de alegria:
1 – Sempre vá acompanhado
Uma pessoa sozinha no meio da aglomeração pode se colocar em risco. Por isso, o indicado é ter companhia. Uma dica para não se perder do acompanhante é utilizar um equipamento semelhante ao que corredores usam com seu guia: uma pequena corda de 50 cm que liga a pessoa com deficiência visual ao guia e deixa os braços livres para movimento.
2 – Evite proximidade com carros de som!
Ficar mais longe do carro de som deixa a pessoa mais livre e com melhor percepção dos sons à sua volta.
3 – Evite o uso de bengalas!
Podem ocorrer acidentes como foliões pisando na bengala. Além disso, em uma eventual aglomeração, a bengala pode se arrebentar e até ser usada como arma.
4 – Evite ficar com seu acompanhante no centro do bloco
Procure as áreas de menor aglomeração para pular tranquilo e em segurança, inclusive, tendo mais mobilidade para sair quando desejar.
A Fundação ressalta ainda que a organização dos blocos pode ajudar a tornar o carnaval mais acessível e inclusivo tomando alguns cuidados. “Utilizar vias com acessibilidade plena para todos, sem buracos ou desníveis acentuados, facilita a circulação das pessoas com deficiência visual, por exemplo. Fora isso, é importante o acesso a banheiros, de preferência, não químicos, pois a configuração desses é desfavorável para quem não enxerga”, explica Kely Magalhães, gerente de atendimento especializado da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos
Há mais de 70 anos, A Fundação Dorina Nowill para Cegos trabalha para que crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão sejam incluídos em diferentes cenários sociais. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.
Responsável por um dos maiores parques gráficos de braille no mundo com capacidade de impressão de até 450 mil páginas no sistema por dia, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.
A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, sites acessíveis, audiodescrição e consultorias especializadas. Contando com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual. Mais detalhes: http://www.fundacaodorina.org.br.
Centenário de Dorina Nowill
Nascida em maio de 1919, na capital paulista, Dorina de Gouvêa Nowill ficou cega repentinamente, aos 17 anos, em consequência de uma doença não diagnosticada. A partir da perda completa da visão, ela começava a fazer história e a construir os pilares da instituição que, no futuro, levaria seu nome e sua causa.
Dorina Nowill foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular no Brasil. Posteriormente, viajou para os Estados Unidos, onde fez cursos de especialização na Michigan State Normal School e no Teacher’sCollege. De volta ao país, percebendo a carência de livros em braille, criou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, atual Fundação Dorina Nowill para Cegos, que iniciou suas atividades em 1946 com a produção e distribuição de publicações acessíveis por este sistema, dando início ao que hoje é uma das maiores imprensas braille do mundo em capacidade de produção.
À frente do seu tempo, Dorina Nowill também foi responsável pela articulação e implementação de importantes políticas públicas nacionais, amplo espaço de fala e representatividade internacional, como sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 1981. Dorina Nowill faleceu em agosto de 2010, aos 91 anos, deixando um legado que permanece e segue adiante por meio dos colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários da instituição. Em 2019, celebramos o centenário dessa mulher, que desempenhou um importante papel na luta pela inclusão de pessoas com deficiência visual.

 

Por: Taís Lambert

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