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Especial Empregabilidade – Lei de Cotas

 

Criada com o objetivo de garantir a colocação de profissionais com deficiência em empresas públicas e privadas com 100 ou mais funcionários, a Lei de Cotas mudou o panorama da empregabilidade no Brasil, conquistou vitórias importantes e mostrou um claro avanço na direção da inclusão. Porém, a falta de cultura inclusiva por parte das empresas e poucas oportunidades de qualificação, principalmente para o jovem com deficiência, ainda são barreiras que precisam ser superadas.

Uma fiscalização mais rigorosa e eficiente talvez seja necessária para acelerar o processo de inclusão e igualdade de oportunidades.
Há quem defenda que o caminho não é a “punição” (através de multas), mas que é preciso aumentar a “informação”.
Se em quase três décadas muitas empresas ainda não sabem como criar alternativas para cumprir a legislação e se aproveitam da falta de fiscalização e baixo índice de multas para não contratarem, talvez seja mesmo hora de atuar com pulso firme. Afinal, lei se cumpre, não se discute!

Confira abaixo  uma matéria especial, com artigos assinados por especialistas do setor, para que você tenha informação suficiente sobre o tema, forme sua própria opinião e, principalmente, cobre aqueles que foram eleitos para garantir nossos direitos.

CAPACITAÇÃO PESSOAL – A CHAVE PARA UMA BOA COLOCAÇÃO
Por: Camila Cechinel / Fotos: Marco Gouveia

 

 

 

 

 

Ele superou as barreiras da deficiência auditiva, desenvolveu a fala, investiu na carreira, brigou por seu espaço profissional e hoje é coordenador de RH numa grande empresa

Luis Gustavo Caporal Feres tem 40 anos e deficiência auditiva bilateral. Do lado esquerdo a perda é severa, não escutando absolutamente nada, nem com a ajuda de aparelho; já do lado direito a perda é profunda, precisando fazer uso do dispositivo convencional e da leitura labial para poder ouvir, entender e se comunicar por meio da fala com as pessoas ao redor.
Coordenador de Recursos Humanos na Coca-Cola FEMSA Brasil, na unidade de Marília/SP, ele é um exemplo de profissional com deficiência que conquistou seu lugar no mercado de trabalho pela capacitação, e não apenas para cumprir uma cota.

“Nasci sem deficiência, ela surgiu depois de 1 ano de idade, como efeito colateral de medicamentos. A minha sorte é que meus pais são muito bem resolvidos, aceitaram o fato de eu ser uma pessoa com deficiência e optaram por me habilitar. O plano deles era ter três filhos, eu sou o segundo e pararam em mim. Em 77, eles não sabiam se minha surdez era genética ou adquirida, porque não tinha a tecnologia que tem hoje… Fui um privilegiado pela minha família ter condições financeiras para dar o que eu precisava, naquela
época, isso era primordial”, relata.

De acordo com Luis, o apoio da família é o primeiro passo – e o mais importante deles! – para que a pessoa com deficiência saia da posição de vítima, encare suas necessidades e seja vista pela sociedade como uma pessoa
comum, capaz de realizar toda e qualquer atividade dentro daquilo que for possível. Para ele, é normal os pais se assustarem com a notícia de que terá um filho com deficiência, no entanto, a situação toma outro rumo quando eles não desanimam ou ficam se considerando injustiçados.

“Eu era uma criança perfeitamente recuperável para falar e escutar, mas existiam dois caminhos: o mais doloroso, que envolvia um longo processo de fonoaudiologia, e o mais cômodo, que é a Libras. Fiz 17 anos de fonoaudiologia porque se eu aprendesse Libras com 2, 3 anos de idade, nunca mais me esforçaria a falar, porque é muito chato, tem que ficar com a mão na garganta falando repetidas vezes a mesma palavra até conseguir pronunciar. É penoso, mas melhor para o futuro da pessoa com deficiência auditiva, que não cresce fechada”, opina.

Com as sessões de fono, Luis também fez, durante muitos anos, terapia, uma vez que seus pais decidiram que ele só estudaria em escolas regulares, visando à inclusão. Para que o filho não se abatesse com o preconceito e possíveis provocações dos colegas, eles sabiam que um apoio psicológico seria fundamental. Apesar de ser grato pela opção escolhida pelos pais, Luis tem consciência de que o assunto “educação para pessoas com deficiência” depende de cada família e do preparo que elas têm para lidar com o cenário.

“Minha mãe brigou muito para eu ser aceito em escolas convencionais porque, naquela época, não era obrigatório. Acho que a escola inclusiva é ideal para as PcDs, mas não é fácil, a criança chega em casa chorando e dizendo que ninguém fala com ela… O aparelho que eu usava era um trambolho enorme e cheio de fios. As outras crianças não entendiam, davam risadas, não tinham paciência para repetir as coisas e me isolavam. Mudei de colégio nove vezes e cada mudança era um frio na barriga!”, relembra, acrescentando: “as famílias têm que tratar a PcD com autonomia e buscar suprir as limitações, deixando-a mais solta. Ela precisa enfrentar o mundo porque senão ela cresce com medo, superprotegida, e, quando chegar à vida adulta, ela não estará preparada”.

Faculdade e mercado de trabalho: principais desafios e a importância da Lei de Cotas

Luis Gustavo Caporal Feres tem 40 anos e deficiência auditiva bilateral.

Formado em administração pela Faculdade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) no Campus Foz do Iguaçu, Luis tem um currículo profissional de alto nível: em 2004, fez estágio na Itaipu Binacional, segunda maior usina hidrelétrica do mundo; de 2006 a 2010, trabalhou como Analista de Recursos Humanos na Philips Brasil, empresa holandesa de produtos voltados à tecnologia, consumo e estilo de vida; de 2011 para cá, atua na Coca-Cola FEMSA Brasil, onde, atualmente, é Coordenador de Recursos Humanos na fábrica de Marília, interior de São Paulo/SP.

De acordo com Luis, as dificuldades em conseguir um estágio durante os cinco anos de faculdade foram imensas, principalmente por que as vagas disponíveis para Recursos Humanos exigiam que o profissional atendesse o telefone – coisa que, na época, não conseguia fazer. Ele conta que durante dez anos trabalhou na empresa da família, mas chegou um momento onde quis ser independente: “eu procurava outras oportunidades, mas só consegui um estágio na minha área no último ano da faculdade, em 2004, quando entrei na Itaipu. A partir daí começou minha carreira de RH”.

Para Luis, a Lei de Cotas é importante porque o mercado tem resistência a contratar pessoas com deficiência, focando mais na limitação do que na capacitação do candidato.

No entanto, segundo ele, há algumas lacunas, tanto do ponto de vista empresarial quanto da própria PcD que precisariam ser reajustadas. “A Lei de Cotas coloca o profissional no mercado de trabalho, mas as empresas deveriam ir além, desenvolver o funcionário com deficiência, olhar o potencial de cada um e, principalmente, alocá-los em vagas que tenham o seu perfil. Por outro lado, uma vez dentro da instituição, a pessoa com deficiência também tem que provar seu potencial e buscar se qualificar. Ela entrou na empresa como PcD, mas só continua na vaga pelo seu desempenho”, destaca.

Para falar ao telefone, Luis utiliza um dispositivo bluetooth conectado ao aparelho auditivo, que diminui os ruídos e deixa o som mais claro.

Para falar ao telefone, Luis utiliza um dispositivo bluetooth conectado ao aparelho auditivo, que diminui os ruídos e deixa o som mais claro.

 

Aconteceu comigo!

Ainda sobre a Lei de Cotas, Luis relembra um episódio chato que aconteceu após sair da Philips, em 2010, por conta de uma reestruturação na empresa. Segundo ele, durante dez meses desempregado foram realizadas 67 entrevistas com a intenção de arrumar um novo trabalho.

Abaixo, um relato dele:
As empresas queriam contratar apenas para preencherem as cotas. Nas entrevistas, me colocavam em uma sala com profissionais menos qualificados, mas que também estavam em busca de oportunidades. Os recrutadores não tinham o cuidado de segmentar por nível profissional. Teve uma vez que eu estava em uma grande empresa, fiquei quatro horas esperando para ser atendido e quando finalmente me chamaram, percebi que o entrevistador não tinha visto meu currículo, porque estava me oferecendo um trabalho operacional.

Nada contra, mas não é a minha qualificação. Perguntei se ele tinha visto o meu currículo e ele disse que sim. Nesse momento, cobri as informações da minha carreira e questionei qual era a minha formação acadêmica, minha qualificação e experiência profissional. Ele não sabia responder nada…Levantei e fui embora.
“A Coca-Cola foi a empresa que mais me reconheceu em toda a minha carreira, independente de eu ser uma pessoa com deficiência”, afirma Luis

Depois de tantas entrevistas sem sucesso, Luis conta que também não passou no primeiro processo seletivo para fazer parte do quadro de funcionários da Coca-Cola FEMSA, tendo o seu currículo ficado no banco de vagas da empresa. Cinco meses depois entraram em contato para uma posição que tinha mais a ver com sua especialidade, que era de treinamento. “No dia marcado cheguei cedo, fiquei no carro e pedi a Deus para que a oportunidade viesse agora, porque depois de 67 entrevistas eu não aguentava mais falar de mim”. E deu certo: em maio de 2011 Luis foi contratado como Analista de Treinamento Industrial Corporativo na unidade paulista.

“O legal é que durante a entrevista eu não falei que era PcD e nunca me trataram como candidato PcD. Eu só fui considerado uma pessoa com deficiência para a Coca-Cola no momento do exame médico, onde o avaliador me olhou e perguntou se eu aceitava fazer parte da cota. É muito bom as pessoas participarem de processos seletivos por meio do seu currículo, da sua experiência e formação, independente da característica física. A Coca-Cola foi a empresa que mais me reconheceu em toda a minha carreira, independente de eu ser uma pessoa com deficiência”, revela.

Um ano depois, Luis recebeu uma proposta para ir para Jundiaí/SP, como Analista de Treinamento & Desenvolvimento da Coca-Cola FEMSA. Dez meses depois, uma promoção fez com que ele se mudasse para Belo Horizonte/MG, para fazer parte do Projeto Itabirito, que era a construção de uma fábrica nova. “Devido a essa experiência, em 2015 fui promovido a Coordenador de Recursos Humanos na unidade de Sumaré/SP, e foi meu primeiro cargo de chefia. Fiquei três anos lá, tomando conta de uma área específica”, explica, completando: “em maio de 2018 vim para Marília, também como Coordenador de RH, mas agora com uma responsabilidade maior, porque sou generalista, cuido de um núcleo inteiro”.

 

Contratar pessoas com deficiência para preencherem as vagas da Coca-Cola FEMSA é uma das funções aplicadas à equipe de Recrutamento & Seleção do Luis, que, por conta da sua história, orienta os funcionários a conhecerem as oportunidades disponíveis e só chamarem para entrevistas pessoas que se encaixem no perfil, exatamente para que nenhum candidato tenha que passar por situações embaraçosas. “É importante que os recrutadores analisem os currículos e, durante a entrevista, conheçam o perfil do candidato, entendam suas necessidades e as adaptações que ele vai precisar, caso ocupe a vaga. Peço que só ofereçam trabalho de acordo com a expectativa do candidato com deficiência, nunca menos”, conta.

Segundo Luis, as pessoas com deficiência têm sempre que estar provando suas aptidões e qualificações no mercado de trabalho, ainda mais do que as pessoas sem deficiência, no entanto, quando isso é colocado como um desafio – e não levado para o lado negativo – o trabalho tende a sair bem feito. “Meu conselho para as PcDs, que estão esperando uma promoção, é: faça a sua parte! Pode até demorar, mas sempre tem alguém olhando você. Principalmente o trabalho ruim, todo mundo olha. Se seu trabalho é bom, tenha paciência e persistência que uma hora o resultado chega, tenho certeza!”, finaliza.

NOVAS PERSPECTIVAS DE INCLUSÃO – Por: Luiz Gustavo Coppola

Há 27 anos, um importante passo foi dado para o ingresso de um maior número de pessoas com deficiência no mundo do trabalho. No dia 24 de julho, foi comemorado o aniversário da lei 8213/91, mais conhecida como lei de cotas para pessoas com deficiência. Por meio dela, foi definida a obrigatoriedade de empresas com mais de 100 colaboradores contratarem profissionais com deficiência, obedecendo ao porcentual que varia de 2% a 5%, de acordo com o número de colaboradores.

O alcance dessa medida é maior do que muitos imaginam. De acordo com a edição mais recente do Censo do IBGE, há mais de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Deste total, aproximadamente um quarto está apto para ingressar no mundo do trabalho.

Além da cota propriamente dita, a lei ajudou a criar uma tendência de valorização da diversidade no ambiente corporativo que continua a abrir novas perspectivas de inclusão para quem ainda sofre discriminação. Com o amplo acesso à informação, multiplicam-se relatos de histórias de vida que colocam por terra os preconceitos que antes eram barreiras difíceis de serem superadas.

Dentro desse contexto, o CIEE auxilia gratuitamente pessoas com deficiência a encontrarem vagas de estágio, aprendizado e também cargos efetivos com o seu perfil por meio do Inclui CIEE, que já encaminhou para contratação, aproximadamente, 9 mil estagiários e aprendizes com deficiência física ou intelectual, desde 1999. Vários deles estão em capacitação, integrando programas inclusivos em organizações parceiras, como a Câmara Municipal de São Paulo, a Embraer e o McDonald’s.

Atuando como uma consultoria, o Inclui CIEE faz uma análise completa para entender o perfil da vaga disponibilizada e os requisitos necessários para preenchê-la, acompanha o processo seletivo pré e pós-contratação, inclusive orientando a empresa quanto à estrutura para receber jovens com deficiência.
Além disso, o CIEE mantém o Programa de Empregabilidade para Pessoas com Deficiência (Proeped), que atualmente dá oportunidade de avanço na carreira a uma nova turma de 57 colaboradores. E mais: conta ainda com mais de 55 funcionários com deficiência, alocados em funções como mensageiro, assistente administrativo, analista administrativo, líder de equipe, entre outros. Somando todos, o total de inclusos hoje chega a 112.

Especificidades sobre o aprendiz com deficiência:
Ele não perde o benefício de prestação continuada – salário-mínimo mensal pago pelo governo. Assim, além de ganhar autonomia e capacitação, também passa a receber o salário de aprendiz. Por sua vez, a empresa cumpre duas cotas: a de aprendizagem e a de pessoas com deficiência.

Cota de pessoas com deficiência x número de funcionários:

100 a 200 empregados 2%
201 a 500 empregados 3%
501 a 1000 empregados 4%
1001 ou mais empregados 5%

 

Atendimento a PcDs e empresas – Rua Tabapuã, 437, Itam Bibi, São Paulo/SP – Tel: (11) 3040-4516

E-mail: vagas.inclui@ciee.org.br ou unidade / posto CIEE mais próximo.

Luiz Gustavo Coppola, superintendente nacional de atendimento do CIEE

SUPERMERCADO APOSTA NA  INCLUSÃO
Por: Luciana Pereira / Fotos: Supermercados Mundial

 

REDE CARIOCA É REFERÊNCIA EM CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAIS COM DEFICIÊNCIA

Empregar com responsabilidade social tem sido a missão do supermercado Mundial. São cerca de 9 mil funcionários, sendo 450 com algum tipo de deficiência, que atuam em 19 lojas do Rio de Janeiro/RJ.
Conversamos com Laura Negro, 77, que é Coordenadora de Projetos Sociais do supermercado. Apaixonada pela inclusão, a coordenadora decidiu colocar em prática um projeto de inserção da pessoa com deficiência nas lojas da rede em 2002. “Começamos com apenas dez pessoas com deficiência intelectual e hoje temos 450 funcionários com deficiência”, conta.

O projeto começou a ganhar forma quando Laura e sua equipe procuraram por instituições e associações do setor e descobriram a Fundação Municipal Lar de São Francisco (FUNLAR), da prefeitura do Rio, que desenvolvia um trabalho voltado para colaboradores com deficiência.
“Solicitamos à FUNLAR que nos indicasse algumas pessoas para que pudéssemos fazer uma experiência em um projeto piloto na loja Conde de Bonfim, na Tijuca, e colocamos em diversos setores. Deu muito certo”, lembra.

Algumas empresas costumam encontrar dificuldades para inserir uma pessoa com deficiência ou mesmo criar uma vaga no perfil que atenda às expectativas e à demanda. Por isso, algumas apenas têm a preocupação de cumprir a Lei de Cotas.
Laura nos conta que o Mundial já abria suas portas para funcionários com deficiência antes mesmo da exigência da cota. Entretanto, o supermercado resolveu oficializar o que a lei propõe e hoje é referência de empregabilidade à pessoa com deficiência no estado do Rio.

O projeto tem 16 anos e não é o único da empresa. A equipe da coordenadora de projetos sociais já promoveu casamento coletivo, atividades sociais na quadra do Mundial, festa de 15 anos do projeto com direito a debutantes e cavalheiros, coral de surdos, além da implementação de Agentes de Responsabilidade Social.
“As agentes são como madrinhas, que têm a missão de visitar a casa e auxiliar em assuntos relacionados à vida e ao trabalho dos funcionários com deficiência”, explica Laura.

Professoras e madrinhas desse projeto receberam aula de Libras para que a inclusão seja plena. O trabalho começou como voluntariado, mas hoje é remunerado.

Não há receita de bolo…

Para Laura Negro não há uma receita de bolo a ser seguida, mas é preciso sensibilizar a liderança da empresa. “Pouca gente tem coragem de lutar por um projeto de inclusão. Fui até a diretoria do Mundial e consegui sensibilizar com o argumento de que o presidente da empresa, cadeirante, era capacitado para trabalhar todos os dias”, relata.

Laura Negro, Coordenadora de Projetos Sociais

Como uma visionária e engajada na inclusão, Laura decidiu fazer uma pesquisa, tanto para clientes quanto para funcionários, sobre a inserção da PcD nas lojas. “Colocamos duas perguntas: a primeira sobre o que ele achava do supermercado Mundial trabalhar com pessoas com deficiência? A segunda, como ele se sentiria sendo atendido por uma pessoa com deficiência? Tivemos 100% de aprovação nas respostas”, lembra.

Histórias que o Mundial ajuda a escrever

Carlos F. Rissi ajuda  clientes a empacotar a mercadoria

Márcio Luiz Teixeira, 45, nasceu cego e trabalha na empresa há três anos e meio. Chegou até a rede após ser desligado do emprego anterior por corte de funcionários e conseguiu a vaga no mesmo dia em que buscou.
“Comecei no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e hoje atuo na área de inclusão com a dona Laura”, diz. Márcio, que foi aluno do Instituto Benjamin Constant, utiliza um sintetizador de voz que faz a leitura de todos os documentos e arquivos que precisa para o trabalho.

Já Carlos Felipe Rissi, 33, diagnosticado com hidrocefalia, está na empresa há 14 anos. Sua mãe, Ana Rissi, soube através do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência – Mestre Candeia (CMRPD) que o supermercado ofertava vaga para pessoa com deficiência
“Fui ver a vaga. Não queria colocá-lo no mercado de trabalho de qualquer maneira. Queria que ele se sentisse confortável. Coisa que qualquer mãe espera para um filho”, afirma. “Era longe para o Felipe, mas eu permiti, porque vi que ali ele poderia trabalhar sem ser discriminado”, complementa a mãe.

Assim como Márcio, Carlos Felipe também conseguiu a vaga no mesmo dia que procurou. “Sou empacotador e gosto dos meus colegas de trabalho, dos fiscais de loja, dos clientes que me tratam muito bem e da dona Laura, que é uma pessoa espetacular e uma mãe para gente”, diz Carlos Felipe.

Carlos Felipe Rissi ajuda clientes a empacotar a mercadoria

UM OLHAR ALÉM DA COTA – Por: Fernando Morette

 

A lei de Cotas 8.121/91 foi um divisor de águas para PcDs no mercado de trabalho. Ela abriu espaço para que os profissionais com deficiência fossem, de fato, inclusos, permitindo que ganhassem mais autonomia e qualidade de vida, além de proporcionar às empresas e seus colaboradores a oportunidade de ter um ambiente mais diverso.

Prova de que ela tem ajudado esse mercado específico são os dados obtidos por pesquisa da Catho, realizada em parceria com a i.Social, ABRH e ABRH – SP, de que 65% dos trabalhadores com deficiência trabalham ou já trabalharam pela Lei de Cotas. Passados 27 anos, a norma que destina um porcentual entre 2% e 5% das vagas para PcDs em todas as empresas com mais de 100 funcionários precisa agora de um complemento e não é por parte do Legislativo.

A verdade é que, muitas vezes, o profissional ainda não se sente prestigiado durante a busca por uma vaga. Tanto que 79% têm a percepção de que as empresas só contratam pessoas com deficiência para cumprir a Lei de Cotas, contra 11% que afirmam que os recrutadores levam em conta seu perfil, independente da cota ou deficiência.
Deste mesmo grupo de entrevistados, apenas 6% creem que são contratados porque as empresas acreditam no seu potencial, e 4% porque elas valorizam a diversidade.

Os números são claros. A Lei vem cumprindo seu papel, mas precisa de um apoio por parte das organizações para se tornar mais efetiva. Agora que os profissionais já estão no mercado, temos de enxergá-los como potenciais candidatos, independente de sua deficiência. É importante que passemos a dar oportunidades com base em sua qualificação, como já fazemos de maneira natural nos processos seletivos. Com este novo passo conseguiremos, de fato, promover a tão esperada e necessária inclusão.

DE ACORDO COM A SUA PERCEPÇÃO, AS EMPRESAS CONTRATAM PESSOAS COM DEFICIÊNCIA:

De acordo com o perfil do profissional, independente de cota ou deficiência 11%
Porque valorizam a diversidade 4%
Porque acreditam no seu potencial 6%
Para cumprir a lei de cotas 79%

Fonte: Pesquisa Catho, i.Social, ABRH e ABRH – SP:
Expectativas e percepções sobre o mercado de trabalho para PcDs 2017/2018

Fernando Morette é Diretor de Operações da Catho e coleciona experiências nas áreas de marketing e vendas, principalmente desenvolvendo e gerenciando Programas de Canais de Vendas Diretas e Indiretas, presenciais ou através de Call Centers. É formado em engenharia pela Universidade de Campinas/SP (Unicamp) e possui pós-graduações pela Universidade Federal de São Carlos/SP e pela Fundação Dom Cabral.

Este Artigo faz parte da Revista Universo da Inclusão – Matéria Publicada na Edição 07 (Julho/Agosto 2018)

 

Por: Marco Gouveia

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