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“Um Olhar Diferente Sobre a Moda”

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Por: Silvana Louro é estilista especializada em moda inclusiva, desenvolve roupas com adaptação para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida: silvanalouro.revistapcd@gmail.com (Foto: Divulgação) Site: Equal Moda Inclusiva 

Muitas pessoas ainda não ouviram falar do movimento de Moda Inclusiva no Brasil e da sua importância como ferramenta de inclusão. Vestir uma roupa, ter opções de escolha e viver no seu mundinho está tão banalizado para quem não tem deficiência, que não se faz ideia das dificuldades que as PcDs enfrentam diariamente para irem ao banheiro, se vestirem e se sentirem minimamente inseridas. Isso por que a Moda é uma atitude, uma expressão pessoal, é comunicação e fortalecimento da autoestima. E isso não é supérfluo. Todos os dias, todas as pessoas abrem seus armários e decidem o que vestir. Imagine só, você sentir dores intensas para vestir uma blusa, uma calça comprida.

Não ter a menor ideia do que está vestindo, no caso de pessoas com deficiência visual, sem opções de escolha e quase nada que proporcione conforto. A vida das PcDs já é um tanto e quanto difícil nas ruas, no mercado de trabalho, na saúde… não deveria ser assim para se vestir. Isso faz parte da rotina de todos nós! Quando comecei a desenvolver as roupas adaptadas da Equal Moda Inclusiva, conheci o trabalho de algumas pessoas, que, como eu, começavam o mesmo movimento, Vitoria Cuervo estilista de Porto Alegre, e o Concurso de Moda Inclusiva de São Paulo com a Daniela Auler. E sempre fiquei muito feliz em saber que eu não estava sozinha.

Hoje temos uma moçada nova e linda aí correndo atrás do seu espaço: a Livanz da Denise Gonçalves, a Angels Grace das Angelica e Grace, a Aria que ainda não conheci as meninas, a Luana Cavalcante… e vem muito mais se Deus quiser!!! No ano passado, fui convidada por Cláudio Rio a escrever um capítulo do livro, “Um Olhar Diferente Sobre a Moda”, que foi impresso em tinta e transcrito em linguagem Braille. A realização foi do Instituto Social Nação Brasil. Essa entidade, de forma pioneira, na região Sul do Brasil, vem utilizando a moda, como ferramenta de inclusão social, desmistificando o caráter elitista da moda e propondo uma nova visão, de um mercado de moda que seja para todos. E é justamente esse conceito que eu acredito. O livro conta com participação de dez profissionais e eu sou uma delas.

Todos de diferentes cidades do Brasil, que atuam no segmento de moda inclusiva, refletindo sobre a inclusão social também na moda, a partir da sua experiência pessoal, ou através de grupos que atuam e compartilham este olhar novo e diferente, sobre o mercado da moda e a construção de uma sociedade com mais acessibilidade. O prefácio foi escrito por Ronaldo Fraga, estilista que, recentemente, no São Paulo Fashion Week (SPFW) apresentou um desfile totalmente inclusivo, questionando os padrões da indústria e o mercado de moda, impostos, pela grande mídia. Sobre a Moda Inclusiva, ele diz: “Quando, no Brasil projetos, como esse aparecem, lançando luz e conversando com as novas gerações, que a moda ou a modelo é muito mais do que a loira anglo-saxônica com a blusa de oncinha, com as pernas longas ao som de uma música eletrônica, rompendo a passarela num grande evento de moda, e traz, para esta passarela, os que são acima do peso, as pessoas com deficiência, traz gente de verdade, a gente também tem uma face de verdade da moda, e é este lugar que eu acho que devemos apostar.”

A arte da capa e contracapa do livro é uma estampa produzida pela aluna de Moda Julia Santos (Jaraguá do Sul/SC), que foi a vencedora do 5º Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva (2017), projeto este que deu origem ao livro. Como ministro palestras sobre a “Moda Como Ferramenta de Inclusão” em todo o país, sempre deixo a sugestão para as Instituições, Empresas, Faculdades de Moda e Design, que peçam o livro para suas bibliotecas. Ele é gratuito e fará toda a diferença no mapeamento das pesquisas de inclusão na Moda. Depoimentos como o que recebi de uma mãe, muito feliz por que seu filho com paralisia cerebral severa de 6 anos, não tinha chorado nem sentido dores para se vestir na hora de ir para a escolinha, me trazem a certeza que a Moda Inclusiva é necessária. Fortalecer essa legião de guerreiros que trabalham incessantemente para que chegue o dia em que as roupas com adaptação para as PcDs estejam disponíveis nos shoppings e nos grandes magazines com preços acessíveis e vestiários adaptados, através de concursos e encontros com estilistas que proporcionam a troca de saberes, estimulem a pesquisa de novas possibilidades de adaptações e materiais é essencial.

 

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