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Chegou a hora de o Senado se tornar acessível para todos os brasileiros

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Por: Mara Gabrilli;  publicitária, psicóloga, foi deputada federal em dois mandatos e recentemente foi eleita senadora

Desde 2011, quando assumimos o cargo de Deputada Federal, batalhamos muito para que a Câmara dos Deputados se adaptasse para todo e qualquer cidadão. Desde então, o espaço da Casa passou por ampla reforma na Mesa Diretora e nas tribunas do plenário, que por décadas não tiveram acessibilidade para receber pessoas em cadeira de rodas. A Comissão de Acessibilidade da Câmara também implantou um sistema de votos com uma tecnologia que permite votar só com o movimento do rosto.

Um investimento justo, afinal, estamos falando da Casa onde foi aprovada a Lei da Acessibilidade (Lei 10.098 de 2000). Trabalhar para abrir caminhos em todas as esferas públicas é ter coerência e respeito à diversidade do povo brasileiro. E é o que faremos agora no Senado que, até há pouco tempo, sequer tinha banheiro para mulheres próximo ao acesso do plenário. Foram mais de 55 anos para que o Senado construísse um banheiro para as senadoras. Até 2016, as senadoras tinham de sair do plenário e usar o banheiro do restaurante ao lado, porque a única opção era o banheiro masculino, construído em 1960. Isso nos leva a pensar que, além de acessibilidade no Senado, também faltam mulheres.

Chego ao Senado com grandes missões e carregando comigo uma somatória de discriminações: mulher e tetraplégica. Isso tudo me faz lembrar os caminhos por onde passei até chegar aqui. E das trilhas que abrimos para que outros pudessem construir seu próprio caminho. Em 2005, quando estava à frente da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo (SMPED), primeira pasta do país com essa temática criada na gestão do então prefeito José Serra, passamos a fazer uma série de vistorias junto à Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) para reformar pontos importantes da cidade. À época, palavras como acessibilidade e inclusão eram pouco faladas no Brasil e a SMPED tinha uma função primordialmente didática: ensinar a importância da acessibilidade em todas as outras secretarias.

Entre outras ações, nosso trabalho resultou no aumento da frota de ônibus adaptado da cidade, que de 300 saltou para 3 mil, além da reforma de mais de 400 quilômetros de calçadas, inclusive as da Avenida Paulista, que se tornou modelo de acessibilidade na América Latina. Lembro-me também da Câmara Municipal de São Paulo que não tinha acessibilidade e nós conseguimos reformar não só a Mesa Diretora do Plenário, para que qualquer cidadão pudesse discursar, como todos os outros espaços do Palácio Anchieta. Dois anos depois, quando assumi o cargo de vereadora, a Câmara já estava acessível para cegos, cadeirantes, idosos, anões…enfim, para todos os cidadãos que votam, pagam impostos e têm o direito de reivindicar direitos e acompanhar o trabalho de seus representantes. Olhar para tudo isso e ver o quanto transformamos – tanto nas cidades quanto na vida das pessoas – é o que dignifica a razão por um dia eu ter quebrado meu pescoço. Eu estou de passagem e sou apenas um instrumento para que o Senado e tantos outros locais se tornem acessíveis a toda e qualquer pessoa.

 

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