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Ao alcance das mãos

Fiat
Fiat

Por: Heloiza Gomes (Foto: Fotos: Divulgação e Shutterstock)

 

Graças ao ultrassom com impressão 3D, gestantes com deficiência visual podem conhecer seus bebês desde o início da gravidez

Quem já passou por uma gestação sabe: é indescritível a emoção de ver a imagem do filho em um monitor, durante a ultrassonografia. Infelizmente, até há pouco tempo, essa sensação era desconhecida para as pessoas com deficiência visual. Mas tudo mudou em 2007, quando foi realizada a primeira impressão 3D de um feto. Com ela, é possível,
por meio do toque, sentir o formato do bebê que espera. A tecnologia foi desenvolvida por um grupo de estudo, numa parceria entre a Clínica de Diagnóstico por Imagem (CPDI), o Instituto Nacional de Tecnologia e a
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O exame, propriamente dito, é o mesmo feito em qualquer gestante. “A diferença está em detalhar mais a narração
e preparar imagens em 3D para posterior impressão”, explica o ginecologista Heron Werner Jr., especialista em Medicina Fetal de Alta Excelência Diagnóstica, que participou da invenção. Werner lembra que, na década de 90,
quando trabalhava na França, era preciso recortar a foto impressa pela ultrassonografia para que a gestante com
deficiência visual pudesse perceber o perfil fetal. “Quando desenvolvemos essa tecnologia, vimos que uma das grandes utilidades seria melhorar a percepção”, conta Heron, que sempre se emociona com o resultado do trabalho.

Ginecologista Heron Werner Jr.

“Vejo como privilégio fazer e narrar um exame para uma paciente com deficiência visual e depois proporcionar a materialização deste momento de grande importância para a mãe”, diz o médico, que faz parte da equipe da CPDI.
Apesar de a técnica ser motivo de comemoração, é preciso ressaltar que o custo é alto – em torno de R$ 500 – e o
acesso, restrito. “Mas, em breve, acredito que vamos encontrar a tecnologia em mais clínicas”, prevê Heron, que dá uma boa notícia para os interessados: “Nós fazemos gratuitamente para as gestantes com deficiência visual”.

 

Como funciona?

O ultrassom precisa ser feito em aparelhos que geram imagens 3D. Na impressora, o feto é dividido em camadas e cada uma delas vira uma impressão em material sólido, como filamentos de plástico e pó similar ao gesso.
“Até a 16ª semana de gestação, conseguimos fazer a impressão 3D de todo o corpo fetal. A partir daí, é limitada devido ao tamanho do feto. Então, fazemos da face fetal”, descreve Werner.

 

A origem

Em 2002, o CDPI e o Museu Nacional se uniram para realizar a tomografia dos fósseis e da coleção de egiptologia da
instituição, quando boa parte do acervo foi digitalizado e impresso em 3D. Depois disso, o designer Jorge Lopes, um dos coordenadores do trabalho, propôs a Heron estender o estudo para a medicina fetal. “Em 2007, fizemos a primeira impressão 3D de um feto a partir de um exame de ressonância magnética. Publicamos um artigo na revista inglesa ‘Ultrasound in Obstetrics and Gynecology’ e, um ano depois, levamos a tecnologia para o campo da ultrassonografia”, conta Heron.

 

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