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Inclusão Social Notícias

Ser pai

Fiat
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Por: Vinicius Goulart; Consultor de Relações Trabalhistas e de Recursos Humanos

Foto: IStock

Estou aprendendo o que é ser pai de uma criança com deficiência. As referências que eu tinha não eram suficientes. Para ser pai, o principal é o AMOR, porque ele é avassalador, começa com o desejo de ser pai e desperta forte no nascimento. Minha esposa, Cristiane Costa Goulart, sentiu o tempo todo a bênção de ser mãe. Afinal, carregou no ventre por nove meses o filho desejado e amado. A ligação entre mãe e filho é especial, me emociono com eles. Eu participei de tudo, no camarote VIP. Na gravidez, a notícia da hemorragia cerebral do nosso filho Mateus nos transformou, ficamos fortes e unidos para a melhor condução do caso. Os avós são o nosso esteio e apoio.

O Mateus nasceu no dia 05/09/2005. Fui o primeiro a vê-lo ao sair do ventre materno, na cesárea cercada de cuidados. O recebi na UTI, onde ele agarrou forte o meu dedo. Por conta da hemorragia cerebral na gravidez, ficou na UTI e, nos anos seguintes passou a conviver com exames, cirurgias, convulsões, internações, medicamentos, cuidados especiais, vivendo um dia de cada vez. Ele é comunicativo, carinhoso, em cada lugar faz novos amigos. Já ganhei o 3º lugar em dança em um hotel fazenda por causa dele. A torcida o ajudou nos aplausos e sua felicidade foi incrível!

Frequentemente o Mateus fala que vai cuidar de nós e posso dizer que isso é algo que já está fazendo. Aos 13 anos passou por cirurgias, internações, convulsões, toma medicamentos, sessões de fisioterapia, e é feliz na sua cadeira de rodas. Adora cantar, dançar, adora games, ri muito quando perdemos os jogos, vai à escola, é comunicativo e faz amizades. Com ele, conhecemos as dificuldades das pessoas com deficiência, estudamos a legislação, sobre a inclusão real, as associações, questões positivas e negativas, como o preconceito. Felizmente, também conhecemos pessoas maravilhosas e profissionais das mais diversas áreas, que nos auxiliam com o Mateus, e descobrimos outras famílias em situações similares, ou com casos mais graves, e nos solidarizamos.

Nas situações de pessoas com dificuldade de conviver com a deficiência, entendemos que o nosso papel é o de buscarmos mais espaço na sociedade e a conquista do respeito, sem brigas. Sobre o futuro, certa vez, uma senhora, falou com a minha esposa que o nosso garoto era muito lindo e que ele seria sempre uma criança e que nunca nos deixaria, ao contrário dos filhos dela, já adultos. Sob o olhar desta senhora a nossa preocupação se tornou algo especial, como… “o copo meio cheio”. O AMOR que veio com o Mateus nos transformou. Longe da perfeição, minha esposa e eu estamos descobrindo a nossa missão com ele, nos preparando para os desafios do futuro e que possamos ajudar outras pessoas.

 

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