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Cultura

Luiza Caspary compõe para pessoas com deficiência auditiva

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Artista já compôs mais de 100 músicas inclusivas para surdos e ensurdecidos


Por: Taís Lambert 

Delicadeza, sensibilidade e uma voz fantástica dão conta de traduzir parte de quem é a cantora e compositora Luiza Caspary. Com apenas 29 anos, Luiza já canta há 8 anos de maneira inclusiva para surdos e ensurdecidos por meio da tradução simultânea em libras dos seus shows e videoclipes.

Seus show e videoclipes sempre trazem um elemento ignorado pela maioria dos artistas: acessibilidade. Por vezes, a própria Luiza canta e ela mesma faz a interpretação em Libras. Por outras, ela conta com a presença de intérpretes da Língua Brasileira de sinais, a Libras, e com a legenda para Surdos ou Ensurdecidos, a LSE, nos palcos.

Segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2010, o Brasil possuía 9,7 milhões de pessoas com algum nível de deficiência auditiva. “Isso nos leva a refletir sobre a quantidade de pessoas que acabam não consumindo arte ou frequentando espaços culturais, na maioria das vezes, pela falta de infraestrutura e do não planejamento de acessibilidade dos espetáculos”, afirma a cantora. “Se os espaços fossem pensados para todos, com um desenho universal, as deficiências desapareceriam e a liberdade de ir e vir, que é um direito de todos nós, seria de fato realidade”.

Um dos diferenciais do trabalho dela está  em incorporar um novo modo de pensar em acessibilidade, mais artístico e realmente inclusivo. Os intérpretes de Libras dividem as cenas com a cantora e seus convidados. “Por padrão, a Libras é inserida por meio de uma pequena janela no contexto de um vídeo principal. Eu quis que a língua de sinais ocupasse toda a tela e com isso se tornasse protagonista daquela narrativa”, afirma a cantora.

Em 2011, a cantora lançou seu primeiro videoclipe com propósito inclusivo O caminho Certo e este é um dos pioneiros no país feito com audiodescrição. Para Luiza, conviver com pessoas com deficiência auditiva me ajudou a compreender que são indivíduos que querem ter liberdade e independência. “Eu os vejo e a empatia me fez mergulhar nesse universo de silêncio em que eles vivem”, completa. Além disso, ela também tem como objetivo atingir as pessoas que não tem deficiência auditivas e usa o seu trabalho como forma de despertar nelas a curiosidade para aprender a Língua Brasileira de Sinais. A grande influência para que ela iniciasse o trabalho para a música acessível foi a sua mãe, a atriz e audiodescritora Márcia Caspary.

No final de dezembro, Luiza Caspary lançou no Youtube, no Spotify, na Apple Music e em outras plataformas de streaming, a canção Bem-Vindo, em que canta com o cantor, compositor Jair Oliveira. “Eu e Jair nos aproximamos através da vontade comum de trazer acessibilidade para a música. Fizemos um show juntos na escola onde as filhas dele estudavam, com Libras para os alunos surdos e desde então queríamos fazer outros projetos assim. Essa parceria é a continuação disso”, conta. Os outros dois singles lançados antes de Bem- Vindos são Sinais e Já não somos apenas nós dois.

O trabalho de adaptação das músicas para Libras tem tradução conjunta das intérpretes Angela Russo e Naiane Olah e supervisão de Maria Rita de Oliveira e Renata Lé, fãs surdas que acabaram se tornando parceiras profissionais da cantora. “Renata assistiu a um show meu com Libras e audiodescrição e sugeriu que eu também incluísse legendas nas apresentações ao vivo, para que surdos oralizados, que se comunicam por meio da escrita, como ela, pudessem me entender”, conta Luiza.

Ela define seu álbum Mergulho como um relato biográfico profundo, no qual propõe uma “imersão solar e feliz” no cotidiano das pessoas. As letras são em português e a sonoridade transita entre pop, folk, rock, eletrônico e erudito. Baiana de nascimento e moradora de São Paulo, Luiza já compôs mais de 100 canções que foram utilizadas em repertórios de outros artistas e como trilha sonora de séries de TV e filmes. Ela também atua como dubladora em animações e com localização de games estrangeiros no Brasil. É de Luiza Caspary a voz de personagens como Ellie, do The Last Of Us; Clementine, de The Walking Dead; e Faith, em FarCry 5. Se ainda não colocou nem os olhos nem os ouvidos nela, a hora é essa, acesse seu site aqui.

 

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